Um empresário australiano relatou ter sofrido torturas e condições desumanas em centros de detenção na China. O relato, divulgado pela Safeguard Defenders, descreve abuso policial, privação de assistência jurídica e maus-tratos físicos.
O empresário, que vivia em Pequim, alega ter sido detido injustamente em janeiro de 2020 após uma discussão em um shopping da capital. Segundo o relatório da Safeguard Defenders, ele foi submetido a tortura sonora e privação de sono por oito meses no Centro de Detenção nº 3. Para forçá-lo a assinar uma confissão por roubo, a polícia utilizou métodos coercitivos.
O detento descreveu a superlotação das celas, onde dividia espaço com pessoas de diversas nacionalidades, e relatou ter sofrido choques elétricos. As refeições no centro eram escassas, consistindo em vegetais cozidos e, ocasionalmente, pequenos pedaços de frango. Ele foi transferido para uma unidade destinada a estrangeiros em maio de 2021, permanecendo até outubro de 2024.
O documento da Safeguard Defenders também aponta outros casos graves no sistema prisional chinês. Foram citadas mortes de detentos por espancamento e falecimentos em centros de detenção nas províncias de Sichuan e Hunan, indicando uma falha estrutural no sistema, segundo a organização.

