Uma força-tarefa coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego resgatou 89 trabalhadores de condições análogas à escravidão em três propriedades rurais de Minas Gerais. A operação, que ocorreu entre 19 e 29 de julho, encontrou os indivíduos sem registro e submetidos a trabalho degradante durante a colheita de café.
Os resgates ocorreram nos municípios de Mutum, Santana do Manhuaçu e Alto Caparaó, na Zona da Mata mineira. A fiscalização, que contou com o apoio do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal, localizou 45 trabalhadores em Alto Caparaó, 32 em Mutum e 12 em Santana do Manhuaçu. Segundo a fiscalização, os trabalhadores não possuíam registro em carteira e enfrentavam condições degradantes de trabalho e alojamento.
As condições de trabalho eram graves: não havia instalações sanitárias nas frentes de trabalho, obrigando os trabalhadores a realizarem necessidades fisiológicas no mato. Além disso, os empregadores não forneciam equipamentos de proteção individual (EPIs), e os alojamentos em duas propriedades não apresentavam dignidade mínima. A situação foi agravada pela presença de mulheres entre os resgatados.
Até o momento, mais de R$ 654,6 mil foram pagos em verbas rescisórias aos trabalhadores. Contudo, uma das empregadoras ainda não quitou integralmente os valores devidos e foi notificada para regularizar a situação, sob pena de novas autuações e responsabilização judicial. O auditor-fiscal do Trabalho Flávio Pena explicou que a mobilização ocorreu devido ao aumento de denúncias durante a colheita, período de maior fluxo de trabalhadores migrantes na região.

