Um sistema implementado pelo Ministério da Saúde utiliza dados de vendas de medicamentos e da Atenção Primária à Saúde (APS) do SUS para detectar sinais precoces de surtos no Brasil. A tecnologia, chamada ÆSOP, permite antecipar aumentos de internações, oferecendo tempo para a organização da assistência.
O sistema ÆSOP cruza informações da APS, principal porta de entrada do SUS, com dados de Medicamentos Isentos de Prescrição (MIP) vendidos em farmácias. Pesquisadores da Fiocruz e da Coppe/UFRJ desenvolveram a tecnologia, que visa superar o desafio de identificar doenças emergentes antes que os sintomas se tornem evidentes.
Estudos indicaram que os dados de farmácias emitiram alertas antes do aumento de hospitalizações em cerca de 57% dos episódios analisados. Esses sinais surgiram de uma a três semanas antes da elevação dos casos graves, enquanto a APS antecipou aproximadamente 60% dos aumentos observados.
A vigilância sindrômica, estratégia integrada ao sistema, monitora padrões de sintomas como febre e respiratórios, priorizando a rapidez sobre a confirmação laboratorial. O desempenho do sistema mostrou variações regionais, mas demonstrou capacidade de fornecer tempo valioso para investigações epidemiológicas e planejamento de leitos.

