A percepção fiscal deteriorada alterou a forma como o Tesouro Nacional financia a dívida pública. Com 50,1% do estoque atrelado à taxa Selic, o governo deve oferecer rendimentos mais altos em títulos pós-fixados para atrair compradores, segundo Ricardo Gallo.
A mudança no perfil da dívida reflete a troca de papéis longos e prefixados por títulos pós-fixados atrelados à Selic. Ricardo Gallo, sócio da Ethica Serviços Financeiros, projeta que os papéis do Tesouro Selic precisarão render entre 102% e 103% do CDI, um aumento significativo em relação aos atuais cerca de 0,10% ao ano sobre a Selic.
O UBS Wealth Management apontou que o risco de repactuação da dívida atingiu 63% em maio, o maior nível da série histórica. Essa exposição à taxa curta alcança R$ 5,27 trilhões, ou 52,6% da dívida total. A demanda pelo título NTN-B (Tesouro IPCA+), que paga a inflação mais taxa fixa, secou, pois fundos de previdência não apresentaram crescimento nos últimos dois anos.
Gallo explica que o problema não é a desconfiança na solvência do governo, mas a capacidade do mercado de absorver o risco. Ele alerta para o risco de um “ciclo perverso”: quanto mais o Tesouro emite, mais a taxa sobe, gerando perdas para quem financia a dívida.
O gestor defende que o Tesouro deve encurtar os vencimentos das NTN-Bs, em vez de alongá-los para melhorar estatísticas, e sugere que o prêmio pago pelas LFTs seja aumentado para incentivar a compra.

