A ampliação do teste do pezinho no Sistema Único de Saúde (SUS) prevê a detecção de até 50 doenças raras, mas a maior parte dos estados ainda não oferece a versão completa do exame. O diagnóstico precoce, realizado em laboratórios como o da Universidade Federal de Minas Gerais, é fundamental para evitar sequelas graves em bebês.
A lei federal estabelece a expansão do teste do pezinho no SUS de seis para 50 doenças. A implementação desse processo ocorre em cinco etapas desde 2022, e o Ministério da Saúde fixou prazo até 2030 para o cumprimento total da legislação. José Nélio Januário, diretor do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico da UFMG (Nupad), explicou que atrasos na trajetória de implementação retardam a possibilidade de a criança não desenvolver sequelas.
Além do impacto na saúde, o teste ampliado gera economia para os cofres públicos. Dados do Ministério da Saúde mostram que, no caso da toxoplasmose congênita, por exemplo, o tratamento inicial de um bebê pode gerar quase R$ 10 milhões por ano de economia nacional. Rodrigo Arantes, médico geneticista da UFMG, afirmou que pacientes com sequelas gastam mais ao longo da vida, necessitando de acompanhamento contínuo e reabilitações.
O exame já demonstrou seu valor. Um caso de atrofia muscular espinhal foi detectado em um posto de saúde no interior de Minas Gerais, permitindo que o bebê iniciasse o tratamento com menos de um mês de vida. A família do paciente celebrou o exame por ter salvado a vida do filho, garantindo seu desenvolvimento adequado.

