Casos de violência de gênero praticados por adolescentes no Rio de Janeiro cresceram 600% entre 2019 e 2025, segundo um levantamento inédito da Vara da Infância e da Juventude. Os dados mostram o aumento das ocorrências, que subiram de 10 para 72 registros, e a redução da idade dos agressores.
O levantamento judicial revela que os registros de violência de gênero aumentaram drasticamente no período analisado. A magistrada Vanessa Cavalieri, titular da Vara da Infância e da Juventude do Rio, declarou acompanhar uma escalada preocupante desse tipo de violência. Ela citou um caso em que um jovem de 12 anos quebrou o braço da mãe durante uma discussão sobre uso de telas.
Devido à gravidade dos fatos, a Justiça tem aplicado medidas protetivas da Lei Maria da Penha, mesmo quando os agressores são adolescentes. Entre as determinações estão a proibição de contato e a restrição de comunicação nas redes sociais, com apreensão de celulares em alguns casos.
A análise aponta a influência de discursos de comunidades como a “machosfera”. Especialistas alertam que conteúdos que promovem superioridade masculina e submissão feminina, impulsionados por algoritmos, alcançam jovens e podem normalizar atos violentos.

