Zezé Motta relembrou a trajetória de Xica da Silva, papel que transformou sua carreira e o cinema nacional, ao comentar a nova exibição restaurada da obra. A atriz afirmou que o filme carrega uma emoção duradoura e representa um marco de coragem e modernidade no audiovisual brasileiro.
A atriz declarou que, ao longo de sessenta anos de carreira, nunca deixou de ser convidada para discutir o papel em festivais e eventos de cinema e literatura. Segundo Motta, o longa possui força histórica e continua a surpreendê-la, especialmente ao retratar o Brasil de cinquenta anos atrás. Ela resumiu o período dizendo: “Fomos modernos, avançados, corajosos, deu certo”.
Motta abordou a representatividade negra no audiovisual, mencionando as dificuldades da época, incluindo críticas do movimento negro, mas destacou o apoio de Lélia Gonzalez. A atriz defendeu que “Representatividade não é uma moda, é um compromisso”, defendendo uma cultura brasileira mais plural. Ela também ressaltou o legado de Cacá Diegues, com quem construiu cinco filmes, incluindo o título em questão.
Questionada sobre o público jovem, a atriz desejou que assistam com espírito crítico, pois o filme discute temas urgentes como racismo e desigualdade. Motta concluiu que a obra “ainda tem algo importante a dizer”, resistindo ao tempo por dialogar com o presente.

