Cinquenta e seis indígenas da etnia Warao, originários da Venezuela, foram despejados de um imóvel em Goiânia nesta sexta-feira (28). O grupo, composto por 21 famílias que residiam no local há oito anos, aguarda a definição de uma nova moradia com apoio de equipes da Prefeitura na Praça do Trabalhador.
A comunidade reúne 24 adultos, 17 crianças de até 11 anos, sete adolescentes entre 12 e 17 anos e cinco idosos com 60 anos ou mais. O proprietário do imóvel decidiu retomar a propriedade para demolir a casa e construir uma nova residência para familiares.
Eduardo Oliveira, superintendente de Direitos Humanos da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos, informou que a Prefeitura foi notificada sobre a saída do grupo por volta das 10h. O município oferece alimentação, água, acesso a banheiro e atendimento social enquanto busca um espaço que comporte toda a comunidade.
A gestão municipal avaliou opções como um espaço ligado ao CRAS Novo Mundo e o antigo Crenas Oeste. Oliveira explicou que a estrutura convencional de acolhimento da cidade, dividida por gênero e idade, não atende a situação, pois as famílias exigem permanecer juntas para preservar a organização da comunidade.
Representantes da Funai, a Defensoria Pública, sindicatos e entidades religiosas participam das conversas para viabilizar o abrigo. A prioridade imediata é evitar que as famílias pernoitem ao relento, enquanto se busca uma solução de estabilidade.
O grupo vive em Goiânia desde 2019 e é acompanhado pelo poder público municipal desde 2022 em áreas de saúde, educação e assistência social. A Prefeitura tenta agora incluir a comunidade no Programa Aluguel Social do Estado, medida que depende de decisões judiciais.


