A criação de 162 mil vagas de emprego nos Estados Unidos no mês passado, número superior à expectativa de 53 mil, elevou a probabilidade de alta nos juros pelo Federal Reserve (Fed) na reunião de 16 de setembro. O dado provocou a alta do dólar e a queda do Ibovespa nesta sexta-feira (4).
O dólar subia 0,26%, cotado a R$ 5,12 por volta do meio-dia. Na plataforma FedWatch, do CME Group, a previsão de alta de 0,25 ponto nos juros subiu para 60%, contra 50% na estimativa de ontem. A manutenção da taxa na banda entre 3,5% e 3,75% é agora vista por 40% do mercado.
O Ibovespa recuava 0,4%, aos 184.412 pontos, na abertura da sessão. Em Nova York, o índice Dow Jones caía 0,57%, aos 53.373 pontos, enquanto o S&P 500 perdia 0,4%, aos 7.717 pontos, e o Nasdaq recuava 0,31%, aos 26.498 pontos.
O presidente do Fed, Kevin Warsh, manifestou incômodo com a trajetória dos preços na economia. Segundo Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra Investimentos, a resiliência do mercado de trabalho e o patamar elevado do petróleo em agosto devem impactar a inflação no curto prazo, favorecendo a subida dos juros.
Felipe Mecchi, economista do C6 Bank, afirmou que o cenário de inflação pressionada e empregos fortes deve levar o banco central americano a elevar as taxas na reunião deste mês. Os juros futuros também registraram alta em toda a curva após a divulgação do payroll.
Tim Urbanowicz, da gestora do Goldman Sachs, disse que os dados foram fortes e podem gerar reações imediatas nos mercados, mas defendeu que a tendência de reequilíbrio do mercado de trabalho continua intacta.


