A advogada eleitoral Ingrid Borges defendeu que as punições contra partidos que descumprem regras eleitorais, especialmente as de cota feminina, devem ser mais rígidas. Ela sugeriu que a suspensão de diretórios municipais ou estaduais seria uma alternativa para forçar o cumprimento das normas de recursos e participação feminina.
Segundo a especialista, que atua em direito eleitoral e possui mestrado pela Universidade de Brasília, a suspensão de um diretório partidário teria efeito mais forte do que apenas exigir a devolução de verbas ou permitir correções posteriores. Borges também propôs a criação de uma reserva de cadeiras no Congresso, visando aumentar a representação de minorias, como indígenas, quilombolas e pessoas negras.
A advogada apontou que o modelo atual, baseado em reserva de candidaturas e distribuição proporcional de recursos, ainda não garante participação suficiente. Ela explicou que a cota de trinta por cento nas candidaturas não atende ao ideal de reserva de vagas no parlamento.
Sobre a fiscalização, Borges afirmou que o processo deve ser ampliado durante as campanhas. Isso inclui a checagem do uso de inteligência artificial e a disseminação de conteúdo falso, além do cumprimento das regras de gênero e distribuição de verbas. O descumprimento deveria gerar consequências diretas no funcionamento dos diretórios.
Outro ponto discutido foi o uso de inteligência artificial. A legislação permite o uso de tecnologia desde que o conteúdo seja identificado, mas proíbe materiais falsos que enganem o eleitor. A advogada considerou que o maior desafio jurídico das eleições de 2026 será lidar com a quantidade de representações decorrentes de *deepfakes*.


