Integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) mobilizam articulações no Senado para adiar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1. A medida, bandeira eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, avançou após reaproximação entre o Planalto e o presidente do Legislativo, Davi Alcolumbre (União-AP).
A estratégia da oposição está concentrada no senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da candidatura de Flávio. Marinho apresentou uma PEC alternativa que propõe a escolha entre o regime da CLT e um modelo baseado em horas efetivamente trabalhadas, permitindo compensações por acordo individual ou convenção coletiva. O texto alternativo está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas o presidente da pasta, Otto Alencar (PSD-BA), informou que não designará relator para a proposta, embora possa incluir trechos no texto do governo caso haja acordo.
Para impedir a aprovação da PEC original, aliados de Flávio planejam solicitar pedidos de vista e apresentar emendas para ganhar tempo. O objetivo é evitar que a matéria seja analisada pela CCJ e pelo plenário na última semana de esforço concentrado do Congresso, prevista para iniciar no dia 31 de agosto. O Senado havia definido apenas duas semanas de atividades intensas de votação antes do pleito.
O senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da proposta e aliado do governo, afirmou que apresentará o relatório na semana de esforço concentrado, mas disse que a definição da data de votação dependerá dos líderes das bancadas. Otto Alencar também declarou que o cenário permanece indefinido.
O deputado Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flávio, criticou a tentativa de aprovação da medida às vésperas da eleição. Segundo Gaspar, o governo Lula não viabilizou pautas positivas em quatro anos e agora tenta alardear interesses eleitorais. A equipe econômica do candidato, representada por Daniella Marques, classificou a medida como um debate populista que ignora o aumento do custo de mão de obra para quem produz.

