Cerca de 75% dos adultos nos Estados Unidos sentem culpa ao gastar dinheiro com atividades ou produtos que trazem alegria, segundo relatório do Ally Bank. A pesquisa YouGov, realizada com mais de 5 mil pessoas, aponta que a pressão financeira torna a felicidade mais difícil de custear em meio a uma crise global do custo de vida.
O levantamento criou o “Joy Index”, que mede a capacidade de priorizar a felicidade sob estresse financeiro. A pontuação média dos adultos americanos foi de 54,2 pontos em 100. O cenário é agravado pela alta de 45% nos preços de imóveis desde 2020 e por dívidas de cartão de crédito que atingiram US$ 1,26 trilhão no segundo trimestre deste ano.
Fatores geopolíticos também impactam o orçamento doméstico. Conflitos entre o governo de Donald Trump e o Irã desestabilizaram o transporte pelo Estreito de Hormuz, elevando os preços de combustíveis, fertilizantes e outras commodities. Diante disso, candidatos republicanos e democratas têm prometido a redução dos custos diários em suas campanhas eleitorais.
Apenas 15% dos entrevistados afirmam que gastos com prazer são fáceis de custear, enquanto 20% dizem o mesmo sobre despesas essenciais. Cerca de 70% dos participantes relatam estresse mensal ao tentar equilibrar responsabilidades financeiras com momentos de lazer. Mulheres apresentam maior nível de culpa: 75% sentem algum desconforto ao gastar, contra 68% dos homens.
A disparidade também aparece entre gerações. A Geração Z e os millennials são os que mais sentem culpa, com 77% e 76% dos respondentes, respectivamente. Já os baby boomers são a geração mais feliz, com 57,1 pontos no índice, e gastam a maior média mensal com lazer: US$ 298. A Geração Z segue com gastos médios de US$ 295.
Para lidar com a escassez, 47% dos americanos buscam formas gratuitas de diversão e 42% poupam dinheiro antes de consumir. No entanto, 20% admitem cortar itens básicos de necessidade e 13% recorrem a empréstimos ou crédito. Nos últimos três meses, as maiores reduções ocorreram em jantares fora (38%) e compras (34%).
A percepção de luxo mudou para a população. Embora 56% citem férias, metade dos entrevistados define como luxo ter dinheiro sobrando após o pagamento das contas. Outros 47% consideram luxo a possibilidade de economizar enquanto aproveitam a vida ou comer em restaurantes sem se preocupar com a conta.

