O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o salário de um magistrado proporciona uma “condição média” de vida, embora esteja muito acima da realidade da maioria dos brasileiros. A declaração ocorreu durante o encerramento do V Seminário Nacional da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos (Anamel), realizado na última sexta-feira (21), em São Paulo.
Mendonça disse que a remuneração de um ministro do Supremo coloca o profissional em uma “classe b”, que não é rica, mas não precisa se preocupar com as contas ao fim do mês. Segundo o magistrado, o propósito de quem exerce a função não pode ser ficar rico.
Dados do Portal da Transparência do STF indicam que a remuneração bruta do ministro em julho foi de R$ 57.957,14, após a aplicação do teto constitucional e soma de outras verbas. O valor líquido recebido no mesmo mês foi de R$ 30.473,47.
Durante a palestra na Universidade Presbiteriana Mackenzie, o ministro falou sobre a pressão do cargo e classificou a carga de responsabilidade como excessiva. Mendonça afirmou que os dois primeiros anos no tribunal foram períodos de “muita infelicidade” e que atualmente enfrenta uma “sobrecarga desumana”.
Indicado por Jair Bolsonaro e empossado em dezembro de 2021, Mendonça mencionou o desafio de diferenciar a função de pastor da de magistrado. Por conta do cargo, ele informou ter decidido tirar três anos sabáticos da pregação para se afastar das atividades da igreja.
O ministro declarou que avalia suas decisões com base na responsabilidade que possui diante de Deus e que a justiça deve estar associada ao amor e ao serviço.

