Transtornos de ansiedade e depressão permanecem causas de incapacidade no mundo, segundo estudos. A saúde mental ganhou visibilidade, mas o aumento dos casos levanta dúvidas sobre o diagnóstico e a medicalização do sofrimento.
O debate sobre saúde mental cresceu, com mais profissionais e serviços disponíveis. Falar sobre ansiedade e depressão tornou-se comum, e empresas passaram a abordar o bem-estar emocional. Contudo, os números dos transtornos continuam preocupantes, afetando jovens e adultos em idade produtiva.
A psiquiatria discute o conceito de “concept creep”, que descreve a ampliação do significado de conceitos psicológicos. Experiências normais, como frustração, luto ou medo, podem ser interpretadas como sinais de transtorno, sem que isso signifique que o sofrimento não é real.
O risco de autodiagnóstico cresce com a vasta informação em redes sociais. Sintomas isolados, como cansaço ou preocupação, não definem um transtorno psiquiátrico. Transformar todo sofrimento em doença pode banalizar quadros graves que exigem tratamento especializado.
A profissional Bárbara Lara, psiquiatra, afirma que buscar ajuda é fundamental quando o sofrimento é persistente e interfere na vida. Uma avaliação correta busca entender o contexto do indivíduo, e não apenas nomear os sintomas.

