Diferentes técnicas de datação são utilizadas na arqueologia para calcular a idade de objetos, restos humanos e sedimentos, dependendo do material e das condições de preservação. O processo divide-se entre a datação relativa, que compara achados, e a absoluta, que estima a idade em anos através de intervalos de tempo.
A arqueóloga e professora do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP), Verônica Wesolowski, explica que a estratigrafia é uma das formas mais antigas de análise. O método observa a posição dos objetos em camadas de terra; geralmente, itens em camadas mais profundas são mais antigos. O mesmo raciocínio se aplica a pinturas rupestres sobrepostas.
A partir da década de 1950, o carbono-14 tornou-se a ferramenta principal para materiais orgânicos, como madeira, carvão e ossos. A técnica mede o decaimento radioativo do elemento após a morte do organismo. Com uma meia-vida de 5.730 anos, o método permite trabalhar com segurança em materiais de aproximadamente 50 mil a 60 mil anos.
Os resultados do carbono-14 passam por calibração usando curvas baseadas em anéis de crescimento de árvores, pois a quantidade de carbono na atmosfera variou historicamente. Por isso, as datas são apresentadas como intervalos de probabilidade. Uma análise de 5.000 anos pode ter uma margem de erro de 30 anos para mais ou para menos.
A análise laboratorial é feita em espectrômetros de massa e é destrutiva, consumindo parte da amostra. Em regiões tropicais, como o Brasil, solos ácidos podem comprometer o colágeno dos ossos, inviabilizando o carbono-14. Nesses casos, utiliza-se a datação por urânio-tório, que alcança cerca de 500 mil anos em minerais carbonáticos.
Outras opções incluem a luminescência opticamente estimulada, para grãos de quartzo e sedimentos, e a termoluminescência, aplicada a cerâmicas aquecidas. Quando o objeto em si não pode ser datado, como artefatos de pedra, os pesquisadores analisam o sedimento ou carvões de fogueiras próximas para situar a ocupação humana no tempo.


