Os artistas Tiago Carneiro da Cunha e Allan Gandhi expõem obras na Carpintaria da Fortes D’Aloia & Gabriel, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro, até o fim do mês. A mostra estabelece um diálogo entre a imagem plana e o tridimensional, explorando a figura humana como eixo central.
Em “Férias para sempre”, Tiago Carneiro da Cunha apresenta um conjunto inédito de pinturas. As obras retratam corpos reclinados em paisagens e espaços urbanos, evocando descanso, vulnerabilidade e morte. A série surgiu após o impacto de imagens de corpos enfileirados em uma operação policial no Complexo do Alemão, a mais letal da história do Rio, com 122 mortos. Cunha relê a violência usando referências clássicas, como a “Pietà” e a tradição flamenga.
No espaço Aquário, Allan Gandhi mostra “Cerâmicas”, marcando a expansão de sua pesquisa para o volume. Ao experimentar novos esmaltes, o artista encontrou na cerâmica um meio de prolongar a investigação sobre rostos e figuras que oscilam entre atração e estranhamento. Gandhi afirma que busca fazer com que “o feio e o grotesco também sejam sedutores de alguma maneira”.
Os artistas discutem a construção de imagens que recusam leituras fechadas. Cunha explica que o título ‘Férias para sempre’ é uma contradição que evoca otimismo e, ao mesmo tempo, um estado de descanso final. Ele também detalha que as pinturas compartilham formato e composição por serem variações conceituais, buscando um visual dramático e operístico.


