Um circuito de automatização dupla impediu a candidatura de um senador à Presidência. O sistema do Partido Missão enviou a ficha do parlamentar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que registrou o dado mecanicamente. A falha gerou um bloqueio que foi revertido no dia 13 de agosto.
A transferência de partido não exigiu ação manual dos dirigentes da legenda, conforme afirmou a própria organização. A automação em ambas as pontas liberou o cadastro e acionou o cancelamento automático da filiação do parlamentar ao PL, seguindo as regras do TSE.
A fragilidade do sistema do Partido Missão decorre da ausência de filtros em sua plataforma digital. Um relatório interno da equipe de tecnologia da sigla indicou que um terceiro fez o cadastro em 2 de agosto utilizando o e-mail do parlamentar, mas inseriu CPF e endereço falsos. A plataforma transmitiu os dados ao TSE por rotina do software.
A assessoria do TSE declarou que o cadastro na plataforma é responsabilidade dos partidos, e o Tribunal não tem capacidade de alterar dados enviados pelo Missão. O gabinete do senador negou qualquer pedido de inscrição e classificou o episódio como sabotagem. Advogados do parlamentar acionaram o TSE e a Polícia Federal para anular a transferência e reverter o desligamento do PL.
A reversão da situação foi confirmada nesta quinta-feira, dia 13. A investigação deve focar no rastreamento do endereço de IP registrado no servidor no momento do preenchimento do formulário falso, dependendo da perícia digital.


