Um estudo publicado na revista Cell Host & Microbe aponta que o microbioma do endométrio, camada interna do útero, pode influenciar o declínio da fertilidade feminina. Cientistas chineses constataram que a perda de bactérias benéficas, como Lactobacillus gasseri, com o avanço da idade reprodutiva pode afetar a capacidade de acolhimento do embrião.
A pesquisa avaliou amostras de endométrio de 149 mulheres em tratamento contra infertilidade, divididas em faixas etárias. Os dados mostraram que as participantes mais jovens apresentavam maior quantidade de bactérias do gênero Lactobacillus, com queda gradual da espécie Lactobacillus gasseri conforme a idade avançava. A diversidade geral da microbiota permaneceu estável, sugerindo que o envelhecimento está ligado à troca de espécies específicas.
Em análises subsequentes, foi notado que gestantes apresentavam maior quantidade de Lactobacillus no endométrio, enquanto as não gestantes tinham predominância de Lactobacillus iners e Gardnerella vaginalis. Os pesquisadores testaram o Lactobacillus gasseri em camundongos e observaram queda nos marcadores de senescência celular e melhora na receptividade endometrial. Além disso, os compostos produzidos pela bactéria, chamados pós-bióticos, reduziram inflamação e estresse oxidativo em células humanas.
Os autores afirmam que a composição da microbiota uterina pode complementar a idade como fator de previsão dos resultados de transferência embrionária. Contudo, a pesquisa está em fase pré-clínica. Os cientistas alertam que a eficácia para tratar infertilidade ainda não foi comprovada cientificamente, e recomendam cautela contra a automedicação com produtos comerciais.


