O Banco Central realizou, nesta quinta-feira (27), duas operações simultâneas de compra e venda de dólares para injetar liquidez no mercado cambial. A autarquia vendeu US$ 1 bilhão em moeda à vista e realizou leilão de 20 mil contratos de swap cambial reverso, no valor de US$ 1 bilhão, operação que equivale à compra de dólares no futuro.
O movimento, chamado de “casadão”, possui efeito nulo sobre a cotação da divisa, pois o volume vendido e comprado foi idêntico. A última intervenção desse tipo ocorreu em 22 de junho, também no valor de US$ 1 bilhão. Segundo a apuração, a medida foi impulsionada pelo fluxo cambial negativo de agosto.
Dados do Banco Central indicam que o saldo de recursos está negativo em US$ 2,55 bilhões do início do mês até 21 de agosto. Apenas na semana anterior, a saída líquida totalizou US$ 4,055 bilhões. Leonel de Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, afirmou que houve necessidade da operação devido a saídas financeiras pesadas na sessão de quinta-feira.
A Bolsa de Valores também registra queda no interesse externo. Segundo a B3, o saldo de investidores estrangeiros está negativo em R$ 20 bilhões até terça-feira (25), tornando agosto o pior mês de 2026 para o fluxo. No acumulado do ano, a cifra permanece positiva em R$ 21 bilhões.
A redução nas alocações em mercados emergentes é atribuída ao conflito no Irã, que levou investidores a buscar ativos de maior liquidez. O índice DXY, que mede o dólar frente a seis moedas fortes, acumula alta de 1,55% desde o fim de fevereiro, período dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.
Fatores internos, como a trajetória da dívida pública e a volatilidade eleitoral, também pesam. O JPMorgan reduziu a recomendação para ações brasileiras de “overweight” para “neutra”, citando o déficit fiscal. O Morgan Stanley projeta que o dólar pode chegar a R$ 6,00 caso não haja credibilidade na continuidade fiscal após as eleições de outubro.


