Pesquisadores analisaram 19 frutos nativos brasileiros, distribuídos pela Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, com foco na atividade antioxidante e anti-inflamatória. O estudo, publicado em maio, detalha a riqueza nutricional de espécies como jabuticaba, açaí e cambuci.
A lista científica inclui frutos como goiabão, grumixama e macaúba, que apresentam diferentes perfis de compostos. A diversidade não se restringe ao sabor, mas à composição, com ocorrência de fenólicos, carotenoides e vitaminas. A jabuticaba, por exemplo, concentra compostos fenólicos em sua casca, enquanto o açaí chama atenção pelas procianidinas presentes nas sementes.
Outras espécies notáveis são o cambuci, da Mata Atlântica, que fornece ácidos fenólicos, e o cereja-do-rio-grande, que contém epicatequina. No Cerrado, o marolo oferece fibras e potássio na polpa, e a macaúba possui carotenoides e gorduras monoinsaturadas. Na Amazônia, o cupuaçu destaca-se pelas substâncias fenólicas do fruto.
Os compostos fenólicos presentes em grande parte das 19 espécies também são investigados pela interação com a microbiota intestinal. Há interesse científico na relação desses polifenóis com a saúde cardiovascular, devido à atuação sobre o endotélio dos vasos sanguíneos. Contudo, os pesquisadores alertam que a riqueza nutricional não transforma os frutos em medicamentos.
A revisão aponta que muitas evidências ainda são de estudos experimentais. Faltam pesquisas clínicas controladas para determinar a absorção e o metabolismo desses compostos no organismo humano. O levantamento direciona o foco para a matéria-prima nacional subaproveitada.

