O sacerdote brasileiro Marcos Pavan tornou-se o primeiro maestro não italiano da Capela Musical Pontifícia Sistina, instituição responsável pela música das celebrações papais no Vaticano. Com atuação iniciada em 1998, Pavan coordena o conjunto que preserva tradições litúrgicas documentadas há 1,4 mil anos, incluindo a formação de crianças músicos.
Pavan ingressou na instituição como assistente do diretor, inicialmente encarregado de treinar os pueri cantores, meninos de nove a 13 anos. A trajetória do maestro inclui estudos de piano, canto lírico e Direito Canônico, com passagens pelo Colégio São Bento e pelo Theatro Municipal de São Paulo antes de se mudar para Roma em 1991.
A formação dos meninos cantores ocorre por meio de audições em escolas e paróquias de Roma. Os selecionados recebem bolsa de estudos da Santa Sé e seguem rotina das 8h às 16h30, combinando disciplinas escolares comuns a aulas de piano, teoria musical e técnica vocal. O ingresso no coro adulto acontece a partir do segundo ano de estudos.
A permanência no grupo infantil é limitada pela puberdade. Quando a mudança de voz impede o canto, o aluno deixa as apresentações, mas mantém a bolsa até o fim do período previsto. Alguns ex-integrantes retornam anos depois como profissionais após disputarem vagas por concurso público do Vaticano.
Sobre a função do coro, Pavan afirma que a prioridade são as celebrações do papa, com repertórios definidos por normas litúrgicas e livros da Igreja. O maestro defende que a inovação musical deve evoluir a partir da tradição, criticando a substituição de modelos litúrgicos por gêneros como o rock.
Ao longo de quase três décadas na instituição, Pavan participou de momentos críticos do calendário papal. Em 2005, cantou o salmo responsorial na missa fúnebre de João Paulo II e, posteriormente, como maestro-diretor, coordenou as cerimônias fúnebres de Bento XVI e Francisco, além de acompanhar o respectivo conclave.


