O calor extremo que atinge a Europa neste verão piora as condições já deterioradas em prisões de França, Itália e Bélgica. Autoridades e especialistas alertam que as altas temperaturas tornam insustentável a vida em estabelecimentos que operam acima da capacidade, agravando problemas de superlotação e infraestrutura antiga.
Na França, onde as temperaturas ultrapassaram 40 °C em algumas regiões, o sistema carcerário enfrenta pressão. Segundo relatos, detentos em celas de nove metros quadrados, sem ar-condicionado, sofrem com o calor sufocante. O Ministério da Justiça francês reconhece que a superlotação amplifica os problemas, mas afirma que o combate a ela é necessário a longo prazo.
As estruturas prisionais europeias, muitas construídas décadas atrás, mostram-se inadequadas para o clima severo. Um secretário-geral de inspeção de locais de privação de liberdade avaliou que os edifícios possuem isolamento térmico precário. Em maio, mais de 7,5 mil presos dormiam no chão por falta de camas.
Na Itália, organizações de defesa dos direitos dos presos denunciaram condições desumanas, como a ausência de geladeiras e ventiladores. O Ministério da Justiça italiano destinou 800 mil euros para melhorias, mas não cumpriu o compromisso de criar 10 mil vagas até o final do ano. Em contraste, na Bélgica, o diretor de uma penitenciária relatou que protocolos de segurança foram alterados durante ondas de calor para permitir circulação de ar.

