Uma comissão da Câmara dos Deputados propôs alterações em uma coletânea de textos acadêmicos sobre a Independência do Brasil. As mudanças incluem a retirada da expressão “ditadura” e cortes em trechos sobre direitos indígenas e escravidão.
O livro, que reunia trabalhos de historiadores ligados à Associação Nacional de História (Anpuh), foi destinado a um público amplo. Segundo Andréa Slemian, uma das organizadoras, o projeto avançou na editora da Câmara, com revisão e diagramação. Contudo, uma comissão ligada às comemorações dos 200 anos do Parlamento apresentou intervenções de conteúdo.
Slemian afirmou que a substituição de “ditadura” por “governo militar” altera a interpretação dos pesquisadores. Ela explicou que parte das referências ao regime militar se deve a estudos sobre como a data da Independência foi celebrada ao longo da história brasileira. Os autores defendem que a obra visa questionar a narrativa centrada apenas em Dom Pedro I.
Um dos textos afetados é de Wilma Peres Costa, professora titular aposentada da Unicamp e da Unifesp. O artigo aborda a Revolução Haitiana e sua relação com a consolidação da escravidão no Brasil. Costa relatou que o título original do texto foi retirado pela comissão.
A Câmara dos Deputados informou que houve um processo de análise editorial, mas que não se chegou a uma versão adequada para publicação institucional. A Casa declarou que encaminhar uma proposta não gera compromisso de publicação.


