O Ministério Público Federal (MPF) moveu uma ação contra o candidato à Presidência da República, Renan Santos, devido a declarações consideradas discriminatórias contra povos indígenas do Baixo Tapajós. As falas ocorreram durante protestos em Santarém, no Pará, e o candidato rejeitou a solicitação de retratação do órgão.
O MPF apresentou a ação após o candidato fazer declarações em redes sociais. Segundo o órgão, as publicações continham expressões discriminatórias contra os manifestantes, incluindo termos como ‘vagabundos’ e ‘picaretas’, além de alegar que eles estariam ‘sabotando’ a Região Norte.
As falas atingiram cerca de 22 mil indígenas de 14 etnias residentes em Santarém, Belterra e Aveiro. O Ministério Público sustenta que o conteúdo configura discurso de ódio, agravando a vulnerabilidade de povos com histórico de conflitos fundiários na área. O MPF pleiteia uma indenização de R$ 500 mil e a remoção das publicações.
Renan Santos, em vídeo, classificou a medida como ‘bizarra’, alegando que foi processado por denunciar uma ‘invasão de propriedade’ do terminal da Cargill. Ele questionou a legitimidade dos grupos indígenas envolvidos e chamou a ocupação de ‘ato político criminoso’.
O candidato prometeu apoiar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar organizações não governamentais (ONGs) e seus financiadores, afirmando que ‘essa farra vai acabar’ para o Ministério Público e para as ONGs.


