A Bolsa de Valores brasileira registrou entrada de R$ 2,558 bilhões em julho, elevando o saldo anual para R$ 36,406 bilhões. O movimento, que representa 81% a mais que o mesmo período do ano passado, foi impulsionado pelo setor de petróleo, mas o fluxo pode moderar devido a incertezas domésticas e externas.
O mercado doméstico recebeu recursos externos devido à retomada das tensões no Oriente Médio e ao alívio das curvas de juros. O setor de petróleo atraiu investimentos, beneficiando ações como as da Petrobras. Segundo o CEO da Kosmos Capital Group, Marcelo Nantes, a valorização da commodity ajudou a reduzir o risco-país.
Além disso, a rotação global de portfólios favoreceu mercados menos ligados à inteligência artificial, colocando o Brasil no radar de investidores. No cenário interno, o mercado aqueceu com notícias de arrefecimento da inflação, o que levou o Banco Central a cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual na quarta-feira, 5.
Apesar do saldo positivo, analistas indicam que o forte fluxo registrado até abril não se repetirá. O head de Alocação da InvestSmart XP, Daniel Nogueira, afirmou que a cautela estrangeira pesa, citando o conflito entre Israel e Irã como fator de risco. O cenário eleitoral e a pauta fiscal passam a ser vetores decisivos para os investimentos nos próximos meses, segundo especialistas.


