O governo da China censurou nesta quinta-feira (27) vídeos publicados por moradores do Tibete sobre inundações e deslizamentos de terra que atingiram a região. No condado de Gyirong, onde um deslizamento engolfou um posto de fronteira, mais de 500 pessoas estão desaparecidas e três mortes foram confirmadas pelas autoridades.
A cobertura da imprensa estatal chinesa focou nos trabalhos de socorro, omitindo detalhes sobre quais aldeias rurais foram atingidas. O jornal Diário do Povo informou que o líder Xi Jinping ordenou que todos os esforços possíveis sejam envidados para auxiliar as vítimas em Gyirong.
Para a operação, o governo enviou membros das Forças Armadas, profissionais de emergência, drones e helicópteros. A região, que possui cerca de 2 mil habitantes, enfrenta riscos de novos deslizamentos e enchentes.
A restrição de informações é intensificada no Tibete, onde a entrada de jornalistas estrangeiros é proibida, exceto em visitas organizadas pelo governo. Ativistas de direitos humanos afirmam que moradores podem ser detidos por publicar conteúdos contrários à narrativa oficial ou conversar com a imprensa.
Ryan Fioresi, diretor executivo da Campanha Internacional pelo Tibete, afirmou que o controle do fluxo de informações pelo governo gera medo nos moradores. Segundo Fioresi, a remoção de postagens impede que dados úteis sobre pessoas presas ou áreas com danos graves cheguem às equipes de socorro e às famílias.


