Carlos Melo, cientista político professor do Insper, avalia que o vencedor da eleição presidencial de 2026 terá menor espaço para impor sua agenda. Ele afirma que o Congresso se fortaleceu estruturalmente, forçando o Executivo a negociar mais.
Melo observou que o cenário se aplica tanto a uma reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva quanto a uma vitória de Flávio Bolsonaro. Segundo o analista, qualquer Executivo terá que negociar com o Legislativo, pois o enfraquecimento do poder Executivo ocorre pela hipertrofia do Congresso.
A mudança, explicou Melo, está ligada ao aumento da autonomia financeira dos parlamentares. Bancadas maiores garantem mais acesso ao fundo partidário e ao fundo eleitoral. As emendas parlamentares também aumentaram a capacidade de deputados e senadores de direcionar recursos sem depender do Palácio do Planalto.
O diagnóstico também ajuda a entender o comportamento dos partidos do chamado Centrão. Para Melo, muitas legendas não calculam a eleição apenas por um programa, mas pela necessidade de manter bancadas grandes e preservar espaço político em qualquer resultado.
O professor concluiu que o desafio do próximo presidente será menos conquistar uma maioria fixa e mais construir acordos sucessivos com um Legislativo mais forte. A composição das Casas após as urnas definirá o poder de governar.


