Cientistas da Universidade de Bolonha soltaram cerca de 130 mil filhotes de polvo-comum no Mar Adriático, na Itália, para tentar frear o avanço do caranguejo-azul. A espécie invasora de crustáceo tem devastado a fauna nativa e a atividade pesqueira no país, motivando a estratégia de controle biológico.
Os polvos foram gerados em laboratório e liberados no estágio paralarval, com poucos milímetros de comprimento. A iniciativa faz parte do projeto Octo-Blu, financiado em parceria com o Governo do Estado de Emilia-Romanha. Segundo a equipe, um polvo adulto de um quilo pode devorar até quatro caranguejos-azuis por dia em condições ideais.
O caranguejo-azul, originário do Atlântico ocidental, teria chegado ao Mediterrâneo por meio da água de lastro de navios mercantes. A população do crustáceo disparou há dez anos, favorecida pelo aquecimento das águas e pela ausência de predadores naturais. Cada fêmea da espécie consegue pôr mais de 700 mil ovos.
As solturas ocorreram entre 11 de junho e o fim de agosto, nas proximidades das cidades de Cesenatico e Riccione. Para apoiar a fixação dos cefalópodes, os pesquisadores instalaram tocas artificiais na região. A escolha do polvo-comum ocorreu por ser uma espécie resistente, de reprodução veloz e já nativa da Itália, o que evita a introdução de novos animais exóticos.
Um possível obstáculo ao plano é a diferença de habitat, já que os caranguejos preferem áreas rasas e arenosas, enquanto o polvo busca outros ambientes. Por isso, a equipe estuda o uso de enguias ou robalos como alternativa de predação. O objetivo do Octo-Blu não é a exterminação total do invasor, mas o controle populacional aliado a estratégias de pesca predatória.
A gravidade da situação levou o Ministério da Agricultura e da Soberania Alimentar a nomear Enrico Caterino como comissário extraordinário para enfrentar a proliferação da espécie.


