A disputa pelas duas vagas ao Senado por São Paulo apresenta cinco candidatos em empate técnico, segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana. O cenário é marcado pela polarização entre direita e esquerda e pelo embate político entre o presidente Lula e o governador Tarcísio de Freitas.
Os levantamentos indicam Guilherme Derrite (PP) e Marina Silva (Rede) com 12%, seguidos por Simone Tebet (PSB) com 11%, André do Prado (PL) com 7% e Ricardo Salles (Novo) com 4%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os cinco nomes possuem chances reais de conquistar uma das cadeiras. Soninha Francine (Cidadania) e Geraldo Rufino (Podemos) aparecem com 2%.
Apesar dos números, 91% dos entrevistados na pesquisa espontânea não souberam citar nenhum candidato. Analistas apontam que o interesse do eleitor pelo Senado costuma surgir apenas na fase final da campanha, o que mantém a disputa aberta.
A corrida reflete divisões ideológicas. Marina Silva e Simone Tebet, ex-ministras de Lula, integram a chapa de centro-esquerda de Fernando Haddad. Do lado oposto, Derrite e Do Prado apoiam a chapa de centro-direita, enquanto Salles, ex-ministro de Jair Bolsonaro, completa o espectro da direita.
A questão de gênero também marca o pleito. Marina e Simone defendem a maior participação feminina no Congresso e o combate à violência política. Em resposta, Derrite propõe a prisão perpétua para estupradores e André do Prado foca em investimentos em delegacias especializadas para atrair o voto feminino.
A origem dos candidatos é outro ponto de conflito. Adversários de Simone Tebet, de Mato Grosso do Sul, e Marina Silva, do Acre, questionam a representatividade de “forasteiras” no Senado paulista. O argumento é confrontado com o fato de Tarcísio de Freitas, carioca, governar o estado.
O pleito serve como termômetro para as lideranças nacionais. Tarcísio de Freitas concentra apoio político em André do Prado, após a relação com Derrite esfriar. Já Lula equilibra a relação com as duas ex-ministras, tendo atuado para viabilizar a candidatura de Tebet pelo PSB.
Paralelamente, a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), que não disputará a reeleição para concorrer à Assembleia Legislativa de São Paulo, viabilizou a liberação de R$ 3,5 bilhões em financiamentos internacionais para mobilidade, saúde e meio ambiente no estado.

