Antonio Claret, advogado e vice-presidente do BDMG, avalia o legado de Juscelino Kubitschek, afirmando que o crescimento acelerado do governo trouxe avanços, mas gerou custos fiscais e inflacionários significativos. O autor defende que o modelo desenvolvimentista deve ser analisado criticamente, considerando os impactos econômicos além da imagem positiva do ex-presidente.
A obra “Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo”, escrita por Claret em parceria com Lucas Berlanza, propõe uma leitura que contrapõe os avanços econômicos do período JK aos seus custos. Claret reconhece o progresso em indústria e infraestrutura, mas sustenta que os resultados devem ser medidos junto à expansão dos gastos públicos, da inflação e da carga tributária. “A gente sabe que o Brasil avançou muito nos cinco anos, nos ’50 anos em 5′, mas a conta certamente foi maior do que de 50 anos”, disse o autor.
O especialista sugere que o crescimento econômico poderia ser alcançado com menor intervenção estatal e maior espaço para a iniciativa privada. Ele citou a priorização das rodovias durante o governo JK como exemplo de como o poder público determinou prioridades, afirmando que o ex-presidente “parou com as ferrovias e falou: ‘Não, o futuro é a rodovia'”.
A discussão se estende ao cenário atual, segundo Claret. Ele declara que o Brasil ainda mantém características de um desenvolvimentismo, com forte influência estatal, o que se reflete em impostos elevados e um ambiente regulatório complexo. O autor questiona: “Qual foi o custo desse mito, da criação desse mito?”


