Famílias de militares russos enfrentam dificuldades ao descobrir que seus parentes, enviados a missões de combate na Ucrânia, foram classificados como desertores. Essa classificação impede o recebimento de apoio financeiro e benefícios, segundo relatos de cidadãos e ativistas.
A situação afeta famílias como a de uma cidadã da Sibéria, que buscou judicialmente o reconhecimento de seu filho como ferido ou morto em combate. Ela relatou que, após ser assegurada por um oficial de que ele estava bem em julho de 2025, o status mudou para ‘desaparecido sem autorização’ em 23 de julho, o que a levou a temer pela vida dele.
A principal motivação do Estado para essa prática é financeira. Ao ser marcado como ausente sem permissão, o militar deixa de receber salário, e a família perde o direito ao suporte financeiro destinado a vítimas de combate. Um ativista de direitos humanos indicou que, em cerca de 95% dos casos que conhece, há evidências de que os militares acusados sofreram ferimentos graves ou foram capturados.
O ativista estimou que o Estado pode economizar até 13 milhões de rublos por militar classificado indevidamente. Além disso, os comandantes evitam a complexa administração de um processo formal de morte, optando por declarar a pessoa como ‘desaparecida’.
As famílias que buscam a mudança de status enfrentam um longo processo burocrático, que pode levar de sete a oito meses, conforme relatos. A cidadã da Sibéria informou que precisou contratar advogados e gastar cerca de 200 mil rublos para tentar reverter a situação de seu filho.

