Colonos israelenses atacaram uma casa nos arredores da vila de Qusra, na Cisjordânia ocupada, neste sábado (29). O episódio ocorreu em um cenário de tensões crescentes na região e resultou na primeira declaração pública do premiê Binyamin Netanyahu condenando atos de violência cometidos em vilas palestinas.
Testemunhas relataram que os colonos cercaram a residência e arremessaram pedras, deixando sete palestinos presos no interior do imóvel. Um dos moradores, Saddam Oday, afirmou que o Exército israelense disparou gás lacrimogêneo dentro da casa. O proprietário do imóvel, Luay Bayruti, declarou que as pessoas no local foram algemadas, vendadas e espancadas por militares antes de serem libertadas.
Em comunicado, a corporação militar informou que tropas e a polícia de fronteira foram ao local para retirar “desordeiros” e proteger os moradores. O Exército não explicou o uso de gás lacrimogêneo. Na semana passada, sob pressão dos Estados Unidos, as forças armadas haviam ordenado a saída de colonos e desmontado barracas, mas o grupo retornou ao local.
O premiê Binyamin Netanyahu condenou os “atos criminosos de violência” nas vilas de Qusra e Jalud, mas atribuiu a situação a um “punhado de desordeiros”. O governo israelense costuma classificar os agressores como uma “minoria marginal”, definição contestada por organizações de direitos humanos. Em junho, a ONU constatou que autoridades israelenses estão diretamente envolvidas em ataques de colonos que resultaram em mortes e deslocamentos de palestinos.
A violência em zonas rurais tem aumentado, com a destruição de plantações de oliveiras e vandalismo em mesquitas e casas. Grupos de direitos humanos afirmam que a presença de colonos nas bordas de vilas palestinas visa a tomada de terras. Atualmente, a Cisjordânia possui cerca de 3 milhões de palestinos e 500 mil colonos israelenses, distribuídos em 146 assentamentos e 390 postos avançados, segundo a organização Peace Now.
Na sexta-feira (28), as Forças Armadas de Israel mataram três palestinos em um ataque aéreo na região. A operação teria como alvo um membro do Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza. O território da Cisjordânia é dividido em três zonas, sendo que o Exército de Israel exerce controle total nas zonas B e C, onde se localizam os assentamentos judaicos, considerados ilegais pelo direito internacional.


