Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) em Sobral identificaram que o consumo diário de 70 g de cuscuz de milho por mulheres em aleitamento materno exclusivo aumentou em 37% o ganho de peso médio de bebês com idade entre 30 e 120 dias.
O estudo, publicado no Journal of Tropical Pediatrics, acompanhou 30 mães divididas em dois grupos. No primeiro, as mulheres ingeriram o alimento por 20 dias e depois passaram outros 20 dias sem consumi-lo. O segundo grupo seguiu a ordem inversa. Os bebês foram pesados antes, durante e após a intervenção.
Os resultados apontaram que as crianças cujas mães comeram cuscuz ganharam, em média, 33,7 g por dia, o que representa cerca de 1 kg por mês. No período sem o consumo do milho, a média caiu para 24,6 g diárias, totalizando 738 g mensais. Segundo o pediatra Francisco Plácido Arcanjo, professor da UFC e um dos autores, o peso foi usado como medida indireta, pois não é possível medir o volume de leite por questões éticas e logísticas.
A percepção das voluntárias corroborou os dados: 60% afirmaram que a produção de leite “aumentou muito” com o alimento, enquanto 33% relataram aumento moderado. Arcanjo afirmou que a intenção era provar a ciência por trás de relatos comuns na prática pediátrica sobre a eficácia do cuscuz.
O ginecologista e obstetra Rômulo Negrini explicou que a produção de leite depende principalmente da sucção frequente do bebê, mas a dieta materna serve como suporte energético. Como a lactação eleva o gasto calórico do organismo, o cuscuz, rico em carboidratos, pode ter funcionado como fonte adicional de energia para mães com ingestão insuficiente.
Negrini informou que dietas restritivas, jejuns e desidratação podem comprometer a amamentação. Ele afirmou que não existe alimento milagroso e que nenhum ingrediente substitui a mamada frequente. O médico citou que ultraprocessados, álcool e excesso de cafeína são hábitos que podem atrapalhar o processo.

