A crise entre Estados Unidos e Irã pode provocar um terceiro choque no mercado global de petróleo se não houver solução diplomática até o final do ano, avaliou Vinícius Rodrigues, professor de Economia e Relações Internacionais da Faap e FGV. O cenário é agravado pela incerteza sobre o fluxo de navios no Estreito de Ormuz.
Rodrigues afirmou que a estratégia adotada pelos Estados Unidos torna improvável uma solução negociada. Segundo ele, as ações tomadas por Donald Trump não incentivam o Irã a retornar ao status quo anterior, que é manter o Estreito de Ormuz aberto. Os investidores, contudo, já incorporam a dúvida sobre a capacidade americana de resolver o conflito.
Caso haja uma mudança política no Congresso americano, Rodrigues projeta alta no preço do petróleo. Ele explica que as ameaças repetidas dificultam o diálogo, pois, embora demonstrar fraqueza possa favorecer o adversário, a constante ameaça afasta o Irã da mesa de negociação.
Para o Brasil, o risco reside no refino e no diesel, que depende de importação. O professor reconhece que os choques passados impulsionaram a exploração nacional, mas alerta que, no curto prazo, o país sentirá os efeitos de uma escalada. A China atua como fator de contenção, mas sua capacidade de autossuficiência pode ter prazo.

