A depressão sazonal pode atingir brasileiros mesmo em regiões de clima tropical e alta luminosidade, segundo discussões realizadas no Congress on Brain, Behavior and Emotions 2026, em Porto Alegre (RS). O transtorno se manifesta por episódios depressivos que surgem ou se agravam em determinadas épocas do ano, seguindo um padrão repetitivo.
O quadro ocorre pela combinação de fatores ambientais e predisposição individual, não dependendo exclusivamente da chegada do inverno. Segundo Thiago Roza, psiquiatra do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e doutor pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), os sintomas costumam aparecer em episódios conectados a estações como outono ou inverno.
Alterações na exposição ao sol e no relógio biológico interferem em neurotransmissores como a serotonina e na melatonina. Os sinais incluem humor deprimido, fadiga intensa, alterações no sono e apetite, além de perda de interesse em atividades agradáveis. A diferenciação de outras depressões ocorre pela época do surgimento e pela repetição anual dos sintomas.
Roza explica que a tristeza comum no Natal e Ano Novo é um fenômeno diferente, pois não está necessariamente ligada a aspectos climáticos ou geográficos. A vulnerabilidade neurobiológica é maior em pessoas que já possuem tendência a quadros depressivos ou transtornos como o bipolar.
O tratamento é individualizado e pode incluir psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico e medicamentos. Medidas de estilo de vida, como atividade física, sono regular e exposição à luz natural são recomendadas. A fototerapia, que usa luz artificial, é empregada em casos específicos, considerando as particularidades da luminosidade no Brasil.
A recomendação é procurar ajuda profissional quando o sofrimento deixa de ser passageiro e interfere na rotina acadêmica, familiar ou profissional. Pensamentos relacionados à morte ou ao suicídio são classificados como sinais de gravidade que exigem avaliação imediata.


