A desocupação no Brasil ficou em 5,3% no trimestre encerrado em julho, o menor patamar para o mês desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), em janeiro de 2012. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A taxa de desemprego era de 5,8% no trimestre anterior, encerrado em abril. O resultado de julho veio em linha com as estimativas do mercado, que previam desocupação entre 5,2% e 5,7%. A população ocupada atingiu 103,3 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica, com alta de 1% ante o período anterior.
Segundo William Kratochwill, gerente da Pnad Contínua, o ingresso de 1 milhão de pessoas no mercado de trabalho ocorreu de duas formas. Metade desse volume corresponde a desocupados que conseguiram emprego, reduzindo em 503 mil o número de desempregados. A outra metade veio do aumento da força de trabalho, que chegou a 109,2 milhões de pessoas.
O crescimento da ocupação concentrou-se no setor de construção civil, que avançou 5,1%. Os demais setores não registraram variação significativa. Kratochwill explicou que a absorção de mão de obra com salários mais baixos, próximos à média, pode ter limitado o avanço da renda média no período.
O rendimento real do trabalho apresentou queda de 0,7% no trimestre, fixando-se em R$ 3.762. O IBGE informou que a variação não é estatisticamente significativa, o que indica estabilidade. Comparado ao mesmo período do ano anterior, o rendimento médio cresceu 3,3%.
Economistas ouvidos pela imprensa local afirmam que a resiliência do emprego pode ser um obstáculo para a queda da inflação, especialmente a de serviços. Rafael Perez, da Suno Research, disse que a combinação de desemprego baixo e massa salarial recorde limita o ritmo de flexibilização da política monetária. O C6 Bank projeta a taxa Selic em 14% até o fim do ano, mantendo a previsão de desemprego em 5,5% para o encerramento de 2026.


