O Discord informou ao governo federal que há indícios de que atos que levaram à morte de uma jovem de 13 anos foram articulados em outras redes, como Telegram e TikTok. A empresa afirmou que interações externas à sua plataforma poderiam explicar a falha na identificação do risco pelos seus sistemas.
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) havia determinado, na quarta-feira (12), que o Discord suspendesse transmissões ao vivo após o caso. A empresa tem três dias úteis para cumprir a ordem. O documento, datado de 10 de agosto, detalha que o sistema de risco da plataforma atribuiu pontuação de 0,12 à transmissão específica, muito abaixo do limite de 0,95 para alerta automatizado.
A ANPD concluiu em nota técnica que o Discord depende de sistemas automatizados e denúncias, apontando falha grave no modelo implementado. O órgão regulador enfatizou que o custo de um falso negativo, em casos de risco iminente de morte, é superior ao de uma análise humana adicional.
Em resposta ao órgão regulador, o Discord declarou que a menção ao TikTok e ao Telegram visa delimitar tecnicamente o processamento da plataforma, e não fugir de responsabilidades. A empresa também afirmou que atividade criminosa havia sido coordenada em outras plataformas antes de o servidor ser criado no Discord.
O TikTok negou ter detectado atividades de coordenação ligadas ao incidente. A rede social disse ter realizado buscas e não encontrado indícios de articulação ou redirecionamento de usuários por sua plataforma.


