O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial, revelando uma dívida de R$ 17,3 bilhões. Esse valor representa cerca de 26 vezes o valor de mercado da varejista na manhã do pedido, quando a empresa avaliava em R$ 660 milhões na Bolsa.
A reestruturação financeira se inicia após uma recuperação extrajudicial anterior que tratou de R$ 4,8 bilhões. Para sustentar a operação durante o processo, a companhia busca um financiamento DIP de aproximadamente R$ 1 bilhão. Esse montante visa reforçar o caixa e recompor estoques, que caíram mais de 20% no segundo trimestre de 2026.
Dos R$ 17,3 bilhões, R$ 16,4 bilhões, ou 94,8%, são devidos a credores sem garantia. O segundo trimestre de 2026 mostrou piora no cenário financeiro: a varejista registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões, sendo R$ 9,1 bilhões decorrentes de efeitos não recorrentes.
Matheus Matos, sócio da MA7 Capital, explicou que a recuperação judicial permite a reorganização do passivo, mas não resolve problemas estruturais. Ele disse que a crise envolve dificuldades de gestão e o impacto dos juros altos. Caso a modernização não ocorra, alternativas como fusões ou falência podem surgir.
Além dos R$ 17,3 bilhões, a relação de credores aponta cerca de R$ 10,99 bilhões em créditos extraconcursais, elevando o passivo total para mais de R$ 27,8 bilhões. A companhia também informou risco de vencimento antecipado de mais de R$ 10 bilhões em contratos.


