O uso da airfryer, popular por facilitar preparos com pouco óleo, levanta dúvidas sobre a formação de acrilamida. Este composto químico pode surgir em diversos métodos de cozimento quando alimentos ricos em amido são expostos a calor seco e alta temperatura.
A formação da substância acontece quando o aminoácido asparagina reage com açúcares naturais acima de cerca de 120 °C. Esse processo, chamado reação de Maillard, é o mesmo que dá cor e sabor a alimentos assados, fritos ou tostados. Segundo a nutricionista Ana Paula Leal, a airfryer apenas cria as condições para essa reação, sem produzi-la sozinha.
Tubérculos como batata inglesa, mandioca e inhame são exemplos de alimentos que podem formar acrilamida. Legumes como abobrinha e cenoura apresentam risco menor por terem menos amido. A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer classificou a acrilamida como “provavelmente carcinogênica para humanos”, baseada em estudos em animais.
Para diminuir a formação, as especialistas sugerem evitar temperaturas muito elevadas, usar potências entre 160 °C e 180 °C para tubérculos e cortar os alimentos em pedaços maiores. Deixar batatas de molho em água por quinze a trinta minutos também ajuda a reduzir açúcares na superfície.
Sophie Deram, neurocientista do comportamento alimentar, reforça que o foco deve ser boas práticas de preparo e o consumo de alimentos in natura, sem gerar medo em relação ao uso do eletrodoméstico.


