A dívida de precatórios no Brasil alcançou R$ 330,4 bilhões, mesmo após o pagamento de R$ 113,4 bilhões em 2025, segundo um levantamento. O estoque em expansão mantém incerta a data de recebimento para credores, impulsionando a cessão de crédito como alternativa de liquidez.
A persistência do volume de precatórios é explicada por alterações nas regras orçamentárias que disciplinam os pagamentos. Para empresas e famílias dependentes desses recursos, a situação gera retenção de fluxo de caixa sem previsão firme de liberação. Nesse contexto, a cessão de crédito ganha relevância, sendo um negócio jurídico formal que transfere o direito de receber o crédito a terceiros, conforme a Serasa Experian.
A operação, adaptada aos títulos judiciais, permite que investidores adquiram os precatórios com deságio, cobrindo o risco e o tempo de espera. A decisão do detentor envolve comparar o pagamento integral, que pode levar anos, com o adiantamento imediato. O mercado de compra de precatórios se profissionaliza, com originadoras especializadas na análise e precificação dos créditos.
João Carlos Garcia, CEO da Preks, afirmou que o crescimento da cessão de precatórios exige “uma análise cuidadosa da proposta e atenção à segurança jurídica da operação”. Com o estoque alto e sem horizonte definido para quitação pelo governo, projeta-se que mais credores busquem a antecipação de recursos.

