O dólar subiu nesta sexta-feira (28) e a Bolsa de Valores recuou após o presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, afirmar que o banco central dos Estados Unidos terá trabalho a fazer caso a inflação continue acima da meta. A declaração ocorreu durante o simpósio anual em Jackson Hole.
Às 12h20, a moeda americana subia 0,86%, cotada a R$ 5,208, após atingir máxima de R$ 5,214. O Ibovespa, índice de referência do mercado acionário, recuava 0,41%, aos 174.417 pontos, revertendo alta de 0,73% registrada no início do pregão.
Warsh afirmou que o progresso no combate à inflação nos últimos dois anos foi modesto. O índice de preços PCE, indicador preferido do Fed, subiu 3,7% nos 12 meses até julho, valor superior aos 3,6% previstos por economistas. O presidente do Fed disse que a instituição deve ter confiança de que a inflação caminha para a meta de 2% com velocidade suficiente.
A fala reforçou a perspectiva de política monetária restritiva, com juros atualmente entre 3,5% e 3,75%. Segundo a ferramenta FedWatch do CME Group, a probabilidade de alta da taxa para o intervalo entre 3,75% e 4% na reunião de 15 e 16 de setembro subiu para 55,5%.
O economista Rodrigo Marcatti, CEO da Veedha Investimentos, informou que o cenário valoriza o dólar e gera movimento de realização de curto prazo em mercados emergentes. William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, afirmou que a combinação de juros altos nos EUA e fragilidade fiscal doméstica dificulta a valorização do real.
No cenário externo, investidores acompanham a guerra no Irã. Teerã anunciou acordo com Omã para controlar o estreito de Hormuz, mas o vice-chanceler Kazem Gharibabadi disse que a via permanecerá obstruída até a finalização dos detalhes. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que não há negociações em andamento entre Washington e Teerã.
No Brasil, o mercado repercute a deflação de 0,4% no IPCA-15 em agosto, a primeira em um ano. Previsões do Boletim Focus indicam que o IPCA encerrará 2025 em 5,02%, acima do teto da meta de 4,5%. Analistas projetam que a taxa Selic termine o ano a 13,75%.


