Duas em cada três pessoas diagnosticadas com Doença de Alzheimer são mulheres, aponta pesquisa da Weill Cornell Women’s Brain Initiative. No Brasil, a enfermidade atinge cerca de 8,5% da população com 60 anos ou mais, segundo o Relatório Nacional sobre a Demência. O Alzheimer é uma doença que causa morte progressiva de neurônios, afetando memória e planejamento.
A disparidade de gênero no diagnóstico é atribuída às alterações hormonais que ocorrem durante a perimenopausa e menopausa. A neurocientista italiana Lisa Mosconi explica que o estrogênio protege o cérebro feminino, auxiliando no fluxo sanguíneo e na ação antioxidante. A diminuição desse hormônio retira essa proteção cerebral.
Mudanças nos níveis de cortisol, hormônio ligado ao estresse, também podem afetar a memória e o humor. Essas alterações podem iniciar processos cerebrais associados ao Alzheimer décadas antes do diagnóstico, inclusive a partir dos 45 anos. O neurologista Edson Issamu Yokoo esclarece que é preciso distinguir esquecimentos normais do envelhecimento daqueles que comprometem a vida diária do indivíduo.
Os primeiros sinais da doença incluem dificuldade em reter memórias recentes, desorientação e prejuízos nas funções executivas. Outros alertas são a incapacidade de sair sozinho ou o risco de acidentes domésticos. A idade superior a 65 anos é fator de risco principal, mas hábitos de vida também influenciam o quadro.
Especialistas recomendam alimentação equilibrada, atividade física regular e controle de doenças crônicas. O diagnóstico precoce é crucial para ampliar o tempo de tratamento e retardar a progressão dos sintomas. O suporte aos familiares também é considerado fundamental para reduzir o sofrimento.

