A economia mundial atravessa uma transformação estrutural, abandonando o período de globalização previsível em favor de uma transição marcada por conflitos geopolíticos e disputa tecnológica. O economista Mohamed A. El-Erian afirma que o sistema atual não possui um ponto de chegada definido, exigindo adaptação contínua de governos e empresas.
A nova realidade incorpora a geopolítica ao funcionamento das cadeias econômicas, onde a preocupação com segurança nacional substitui a lógica da eficiência. Isso gera a “weaponização” das interdependências, transformando relações comerciais em instrumentos de pressão política, como visto em disputas por rotas marítimas e minerais críticos.
Essa mudança afeta diretamente as empresas, que migram do modelo “just in time” para o “just in case”. Essa busca por redundância aumenta a resiliência corporativa, mas eleva os custos operacionais, criando um paradoxo de segurança versus eficiência no sistema global.
Além disso, a disputa tecnológica impulsiona investimentos, mas o retorno em produtividade ainda é incerto, ocorrendo em um contexto de alto endividamento. El-Erian aconselha que agentes econômicos construam reservas e diversifiquem fornecedores, priorizando a capacidade de reação a cenários diversos.


