A economia brasileira apresenta sinais de perda de ímpeto, com economistas alertando para a possibilidade de o Produto Interno Bruto (PIB) registrar terreno negativo no terceiro trimestre de 2026. O cenário é reflexo do efeito contracionista dos juros altos e da dissipação de medidas expansionistas do governo.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou retração de 0,64% em junho, resultado maior que o previsto. No período, houve recuo nos componentes de indústria, serviços e impostos, excluindo-se o setor agropecuário. Dados preliminares de julho indicam um desaquecimento adicional da atividade.
As vendas no comércio encolheram 0,1% em julho, segundo o indicador Iget, calculado pelo Santander e Getnet. No mesmo período, o indicador Idat, do Itaú, caiu 0,5%. A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) informou que o fluxo de veículos nas estradas ficou estável na comparação mensal.
Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, afirmou que a perda de dinamismo já estava contratada devido ao patamar da taxa Selic. Segundo Vale, a economia perdeu tração no segundo trimestre e é difícil imaginar uma reversão nos dois trimestres seguintes.
Um levantamento do Bank of America (BofA) mostra que a atividade arrefeceu de forma espalhada. De 10 dados acompanhados em julho, três foram negativos e quatro tiveram variação nula. A instituição estima que a expansão do PIB tenha caído de 1,1% no primeiro trimestre para 0,3% no segundo.
Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, disse que a probabilidade de PIB negativo no terceiro trimestre aumenta se a desaceleração do segundo trimestre for maior. O Monitor do PIB, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre), mostrou expansão de 0,3% na atividade econômica no segundo trimestre frente ao primeiro.
O Itaú revisou para 0,8 ponto percentual a estimativa de impulso fiscal sobre a atividade em 2026. A equipe de economia, liderada por Diogo Guillen, informou que a ampliação da isenção do Imposto de Renda e a redução da fila do INSS tiveram impactos menores do que o esperado no consumo.


