As eleições presidenciais no Brasil definem mais do que o cenário interno, pois moldam a política externa do país e seu papel no Sul Global. A disputa atual coloca em xeque o equilíbrio diplomático brasileiro, especialmente em relação à questão palestina e ao futuro das correntes progressistas na América Latina.
As declarações do candidato de direita Flávio Bolsonaro indicam um possível reposicionamento do Brasil em alianças internacionais, ao prometer apoio a Israel e a transferência da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém. Essa postura contrasta com a diplomacia do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que tem defendido o direito internacional e a autodeterminação palestina, mantendo a posição contrária à mudança do status da embaixada.
A permanência de Lula no poder assegura a continuidade do Brasil como defensor dos direitos palestinos em organismos internacionais, mantendo a autonomia diplomática. Por outro lado, a chegada de Flávio Bolsonaro poderia levar o país a adotar posições mais alinhadas a correntes conservadoras, alterando o peso diplomático brasileiro no cenário global.
Além da questão palestina, o resultado eleitoral impacta o futuro da esquerda latino-americana. A liderança brasileira influencia o equilíbrio de forças regional; a continuidade de Lula é vista como garantia de um projeto progressista, enquanto a vitória de Bolsonaro sinalizaria um retorno do projeto conservador na América Latina.

