O endividamento das famílias brasileiras atingiu 82,0% em julho de 2026, marcando o maior índice da série histórica iniciada em 2015. Os dados, divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que o aumento de 0,4 ponto percentual em relação a junho compromete a renda nacional e o consumo.
O percentual reflete famílias com dívidas de cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de veículos e imóveis. Segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, é necessário avançar em medidas que aliviem o bolso do trabalhador, embora o tempo de atraso nos pagamentos tenha caído para 64,6 dias, o menor patamar desde dezembro de 2025.
Outro indicador aponta que 19% dos consumidores destinam mais de 50% dos rendimentos mensais ao pagamento de dívidas. O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, afirmou que a queda da taxa Selic favorece o mercado, pois tende a diminuir o custo das novas operações de crédito.
A análise por faixas de renda revela disparidades. A população com ganhos de até 3 salários mínimos concentra a alta de pendências, com 84,9% dos integrantes endividados. Em contraste, a parcela com rendimentos acima de 10 salários mínimos registrou 72% de endividamento, mas com pendências em atraso recuando para 15,1%.

