O endividamento das famílias brasileiras atingiu 82% em julho de 2026, com índices superiores entre consumidores que recebem até três salários mínimos, onde o percentual chegou a quase 85%. Segundo a imprensa local, o cenário pressiona o consumo doméstico e projeta um crescimento de apenas 0,8% nos gastos das famílias para 2027.
Entre os consumidores de menor renda, 38,5% afirmaram ter contas em atraso e quase 18% declararam não ter condições de quitar as dívidas. A apuração indica que a expansão do crédito digital e o uso do Pix facilitaram o acesso a empréstimos, mas operações com taxas elevadas em cartões de crédito e crédito pessoal levaram ao acúmulo de parcelas.
O comprometimento mensal da renda com juros e parcelas chegou a 29,3%. Atualmente, as dívidas das famílias correspondem a quase 50% da renda disponível, valor significativamente superior aos 38% registrados no período que antecedeu a recessão de 2014.
A diferença entre a taxa Selic, que recuou de 15% para 14% ao ano, e os juros médios cobrados dos consumidores, que chegaram a 64% ao ano, é atribuída ao risco de crédito. O nível elevado de inadimplência leva as instituições financeiras a cobrarem taxas maiores, o que dificulta novos empréstimos e aumenta o peso das dívidas existentes.
Há um risco de recessão econômica caso estímulos elevem o endividamento para 51% da renda, o que poderia encolher o crédito em 6% no próximo ano. A projeção de estabilização ocorre apenas para 2028, condicionada ao crescimento sustentável da renda e à menor dependência de dívidas para manter o consumo.

