A escassez de chips de memória, descrita por Tim Cook, presidente-executivo da Apple, como uma “enchente que só ocorre a cada cem anos”, elevou os preços de eletrônicos. A alta estrutural, causada pelo consumo de data centers de inteligência artificial, impacta diretamente os contratos públicos.
Segundo a TrendForce, o preço da memória DRAM subiu entre 93% e 98% no primeiro trimestre de 2026. A Gartner projeta que essa elevação de custos possa aumentar em 17% o preço de um computador e em 13% o de um smartphone ao longo do ano. Companhias como Samsung e SK Hynix já redirecionaram suas linhas de produção para atender à demanda dos sistemas de inteligência artificial.
O texto argumenta que os contratos públicos não estão imunes a essa volatilidade de mercado. O poder público deve reconhecer a incerteza como componente estrutural do ajuste, e não como um acidente. A modelagem contratual precisa incorporar mecanismos de governança para absorver o que ainda não se conhece.
A solução passa por instrumentos que preservem o negócio jurídico e contenham a onerosidade excessiva, valorizando o dever de renegociar. A Advocacia-Geral da União, por exemplo, atuou com orientações jurídicas durante a pandemia de Covid-19, demonstrando como medidas normativas podem reduzir a insegurança jurídica diante de transformações tecnológicas inevitáveis.

