O governo da Espanha solicitou apoio à União Europeia para realizar a triagem de cerca de 5 mil estrangeiros que chegaram ao enclave de Ceuta no último mês. O pedido, enviado nesta sexta-feira (28) pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, visa agilizar a identificação de quem tem direito a asilo humanitário ou deve ser deportado.
Grande-Marlaska solicitou a Beate Gminder, diretor-geral de imigração e assuntos domésticos da Comissão Europeia, o envio de 10 oficiais da Agência de Fronteira e Guarda-Costeira da UE, a Frontex. A medida ocorre enquanto muitos migrantes permanecem em acampamentos de refugiados. Na terça-feira (25), Madri também pediu fundos emergenciais ao bloco europeu para gerir a crise.
A situação tornou-se crítica após moradores de Ceuta invadirem, desde quinta-feira (27), um acampamento de migrantes na praia de El Trampolín. Durante a ação, residentes atearam fogo a objetos e jogaram pertences ao mar na tentativa de expulsar os estrangeiros. A polícia manteve um cordão de isolamento para separar os dois grupos durante a manifestação.
Doze migrantes marroquinos foram presos na quinta-feira após um grupo de 70 pessoas apedrejar um veículo do Exército, ferindo um soldado e quatro refugiados. Segundo a imprensa local, 11 desses detidos foram expulsos do território. Horas antes, manifestantes bloquearam a chegada de veículos da Cruz Vermelha que distribuíam comida na praia, sendo dispersados pela polícia.
Estima-se que entre 5 mil e 8 mil migrantes, incluindo crianças desacompanhadas, ainda estejam em Ceuta. Desde 30 de julho, 72 mil pessoas cruzaram a fronteira entre Marrocos e Espanha. Dados oficiais indicam que o fluxo desordenado deixou 82 mortos no lado espanhol e 14 no lado marroquino, embora grupos de direitos humanos sugiram que as vítimas possam ser mais.


