A mudança abrupta no perfil de risco de fundos imobiliários (FIIs), especialmente durante estratégias de crescimento acelerado, pode prejudicar cotistas. O alerta foi feito por Arthur Moraes, professor de finanças, e Marx Gonçalves, Head de Fundos Listados da XP Research, em análise sobre o uso de estruturas alternativas para financiar aquisições.
Mecanismos como securitização, renda mínima garantida, cotas subordinadas e seller finance têm sido utilizados para viabilizar a expansão dos fundos. Segundo Moraes, essas ferramentas precisam estar alinhadas à estratégia apresentada ao investidor no momento da compra das cotas. O professor afirmou que a transformação rápida do perfil de risco é problemática, principalmente em fundos que eram conservadores e focados em renda.
A diversificação da carteira foi indicada como forma de reduzir o impacto caso um veículo altere significativamente sua exposição ao risco. O especialista explicou que o investidor deve conhecer o perfil de cada fundo e avaliar se a estratégia adotada é compatível com seus objetivos pessoais.
A previsibilidade dos rendimentos também é um ponto de atenção. Moraes informou que fundos de tijolo tendem a ter renda mais estável, enquanto fundos de papel apresentam oscilações maiores devido às mudanças nos índices que corrigem os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). Ele exemplificou que a distribuição mensal pode variar de R$ 1,10 para R$ 0,70 por cota sem que haja problemas na carteira, apenas por características dos ativos.
Marx Gonçalves ressaltou que o fundo deve manter seu mandato alinhado ao perfil dos investidores e seguir a tese de investimento original. De acordo com o executivo da XP Research, a gestão deve respeitar a exposição e o risco que os cotistas efetivamente compraram.
Para Gonçalves, mudanças bruscas na direção do negócio geram descontentamento e ruído no mercado. Essa instabilidade pode forçar o investidor a rever todo o seu investimento e aumentar a volatilidade da cota no mercado secundário.

